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Por Quem os Sinos Dobram

Tutu-Marambá, Pesquisas das Artes do Corpo, apresenta a performance-rito:
Por Quem os Sinos Dobram

 

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Nesta quarta-feira, dia 7 de agosto, como vem realizando a cada ano desde 2008, o grupo de estudos das artes do corpo e arte da performance, Tutu-Marambá, sob a coordenação de Cleide Riva Campelo, apresentará no parque Kasato Maru, em Sorocaba, às 19:30hs, a performance-rito POR QUEM OS SINOS DOBRAM, em homenagem às vítimas de Hiroshima e Nagasaki, atingidas pelas bombas atômicas lançadas em 6 e 9 de agosto de 1945.

Neste ato pela paz, o grupo de performers busca mais do que apenas a resistência política na manutenção da memória das consequências atômicas no planeta: o próprio título da performance-rito, POR QUEM OS SINOS DOBRAM, inspirada na obra de Ernest Hemingway, que por sua vez faz a citação de John Donne, lembra-nos que ninguém pode viver isolado e que a ação violenta sobre qualquer ser humano em qualquer tempo não poderá ser desprezada por ninguém. Somos afetados pela ação de todos – este é o traço de nossa humanidade.

O grupo de pesquisa sobre performance e artes do corpo faz dessa homenagem seu libelo pela paz, pela convivência de todos e para que se encontre sempre um caminho comunicativo em todas as questões do mundo contemporâneo – que a violência não seja nunca o caminho de escolha para a solução de nossas diferenças e de nossos obstáculos.

Para homenagear a memória de todas as pessoas que naquelas duas manhãs ensolaradas de agosto de 1945 tiveram seus sonhos brutalmente interrompidos é que o grupo Tutu-Marambá convida a todos para a performance-rito POR QUEM OS SINOS DOBRAM.


Por Quem os Sinos Dobram?

Cleide Riva Campelo/Tutu-Marambá

Sorocaba, 30 de julho de 2013

Disse o poeta inglês, John Donne, que eu ouvi através de Ernest Hemingway:

“No man is an island, entire of itself; every man is a piece of the continent, a part of the main. If a clod be washed away by the sea, Europe is the less, as well as if a promontory were, as well as if a manor of thy friend’s or of thine own were: any man’s death diminishes me, because I am involved in mankind, and therefore never send to know for whom the bells tolls; it tolls for thee.”
― John DonneNo Man Is An Island

Disse Hemingway: “Um homem pode ser destruído, mas não derrotado”.

Começamos nossos preparativos para nossa performance-homenagem às vítimas da terrível bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki. É a nossa performance mais antiga, que refazemos a cada ano, celebrando a paz e lembrando, para que este ato não se repita nunca mais.

A memória tem muitas funções. Ela celebra a alegria, ela rememora o que merece permanecer, ela traz as fragrâncias queridas de volta. Mas, também, ela serve como um radar, como alerta, como uma voz gravada que avisa sobre os perigos já encontrados antes.

As bombas atômicas em manhãs ensolaradas de agosto sobre as duas cidades japonesas são feridas sobre o corpo de todos os homens de todos os tempos. Feridas que não cicatrizam nem podem cicatrizar: porque para certo tipo de ação, não pode haver cura.

Nós, do Tutu-Marambá, Pesquisas das Artes do Corpo, repetimos a cada ano o nosso rito, guardiões desta memória, numa vigilância necessária ao sonho da paz entre os homens.

Dia 7 de agosto, quarta-feira, 19:30hs, Parque Kasato Maru, Sorocaba: Por Quem Os Sinos Dobram…


Os Sinos

Cleide Riva Campelo/Tutu-Marambá

Sorocaba, 31 de julho de 2013

Mensageiros filhos do trovão, desde os primórdios, na China, os sinos vem nos avisando dos perigos, vem pontuando o que precisa ser celebrado, e nos preparando para a luta.

A voz do tempo está dentro dos sinos, protótipos do relógio, o Iroko dos tempos de agora.

Hoje, nós, tutus-marambá, tocamos todos os sinos, apitos e chocalhos para que todo o barulho do mundo fosse uma flecha do tempo atirada ao contrário, permitindo que todos fugissem a tempo em Hiroshima e em Nagasaki.

Não pergunte por quem os sinos dobram…