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A Arte é Um Vírus ou Uma Onça – Manifesto Pau Brasil Parte I

LowLives: Occupy!/ Tutu-Marambá

O movimento internacional Low Lives em parceria com Occypy With Art e o Institute de Performance e Política  Hemispheric de Nova York apresentarão no próximo sábado, dia 3 de março de 2012, das 20hs às 24hs (hora de Brasília) um programa singular: uma noite de apresentações  ao vivo envolvendo a arte da performance, happenings, ações públicas e manifestações artísticas que serão vistas por um grande público, na mesma hora, em locais onde as apresentações serão projetadas (USA, Colombia, França, México, Brasil, Espanha – são alguns dos países que já se engajaram nas projeções públicas do evento) e por outra parcela significativa do público que assistirá direto de suas casas, de seus computadores particulares. A este evento com apresentação e projeção simultânea em todo o mundo deu-se o nome de Low Lives: Occupy! Trata-se de uma ocupação das redes, do tempoespaço virtual, dentro do tempoespaço da vida cotidiana. Serão camadas de comunicação entrelaçadas, partindo do ponto de vista da paz entre os homens, da igualdade de direitos que todos os humanistas de todos os tempos e lugares sempre conclamaram.

O grupo de Sorocaba, Tutu-Marambá, Pesquisas das Artes do Corpo, foi selecionado para este evento e apresentará seu trabalho, fazendo parte desta teia artística e compondo esta utopia concreta da intercomunicação humana fazendo-se possível, apesar de todas as dificuldades políticas, históricas, ou cotidianas.

O grupo Tutu-Marambá, Pesquisas das Artes do Corpo, sob a direção de Cleide Riva Campelo, apresentou a princípio um projeto de uma Performance interativa a ser realizada em frente da Prefeitura de Sorocaba, para onde todos os artistas da cidade seriam convidados a participar. Infelizmente, não recebeu o apoio logístico solicitado através de ofício a quem de direito do poder público (administração, responsável pelo entorno do prédio do Paço): apoio este sendo apenas o uso de uma Internet segura e pontos de eletricidade para garantir a iluminação. Sendo assim, fará sua participação de sua sede particular, apenas com a participação de seus integrantes e alguns convidados, já que o local não comportaria um grande número de pessoas, como havia sido planejado. Todas as pessoas poderão, entretanto, assistir e participar de suas casas através de chats ao vivo durante as quatro horas do evento através do link:  http://www.occupywithart.com/llo-live-channel/

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A performance que o Tutu-Marambá lançará na rede mundial, “ A Arte é Um Vírus ou Uma Onça – Manifesto Pau Brasil Parte II”, concepção e direção de Cleide Riva Campelo, tecerá uma série de homenagens, pelo olhar especial de Beto Rocha, responsável pela filmagem. A partir do título, há uma homenagem explícita à Laurie Andersson (autora de ‘Language is a Virus’), grande expoente da música e performance, e à Semana de Arte Moderna, em seus 90 anos, na pessoa de Oswald de Andrade, autor do Manifesto Pau Brasil, publicado em 1924. Este é o jeito Tutu-Marambá, de começar trançando as questões culturais de longe e de perto, de ontem e de hoje. E de preservar a memória. Este evento também será uma homenagem a Abel Cardoso, num alerta que faremos em prol da ameaçada memória cultural da cidade. O backstage tecnológico e a logística do evento é de Márcio Moraes, Maurício Felippe e Esdras Nuño. Fotografia: Nilze de Campos e Beto Rocha. Som: Rolando Beltram. Convidamos a todos a cirandar na rede com a gente!  www.tutumaramba.com.br

A Arte é um Vírus ou uma Onça – Manifesto Pau Brasil Parte II

Tutu-Marambá: Pesquisas das Artes do Corpo, LowLives: Occupy! 3/Março/2012

Manifesto Pau Brasil Parte II

 

Somos o pó poético das nações indígenas estraçalhadas, das nações africanas estilhaçadas, das nações europeias e asiáticas desterradas. Deste pó, surgimos, misturados.

Queremos a mestiçagem. Queremos ser o que somos a partir do que Oswald de Andrade chamou de “a contribuição milionária de todos os erros”, ancorados numa nova-velha ordem, “correspondente ao milagre físico em arte”, ou “a cozinha, o minério e a dança”. Em outras palavras, queremos exercer nossa mistura fertilizadora em nossos ambientes sociais, físicos e culturais. Em todas as nossas interrelações.

Queremos o acesso amplo à informação que vem pela tecnologia dos satélites e à felicidade dos pés no chão. E não à tecnologia de pés-no-chão e à felicidade que nos é oferecida somente pelos satélites.

Queremos exercer o papel de guardiões de nossa memória, isto é, de todos os textos culturais criados pelos artistas de todos os tempos e espaços. Isso é um bem inalienável, um direito de todos os homens. O poder cuida do poder. Os artistas cuidam da arte. Responsabilidade de voo.

A arte é um vírus. Como em tudo o que é vivo, a pasteurização excessiva homogeneíza o meio de modo perigoso. Sem diversidade, a vida não acha caminhos. Vida estéril.

A arte é uma onça.  A palavra jaguar, de origem tupi, dicionarizada nos Oxfords do mundo, comprova que a onça contamina. E surpreende. Não tente pegar uma onça à unha. Traga sua lança e dançaremos juntos. O canibalismo estético pede que possamos dançar com aqueles que devoraremos. À arte também cabe a devoração e o apavorar, pois ela se pretende uma canção de ninar que acalante e assuste. Um Tutu-Marambá, afro-indígena da América do Sul. Da América do sal.

Menos burocracia, menos institucionalização no que é desnecessário. Que os espaços públicos sejam mais férteis e contaminadores. O ar que respiramos deve ser o da liberdade. Que ninguém nos venha domar, para pagar nossa arte, nem nossas contas. Queremos parcerias, não patrocínio. Os ideais anarquistas de coletividade precisam ser reinjetados para dentro de nossas fronteiras.

Saudamos o sol de Maiakóvski, onde quer que ele esteja iluminando neste momento!

Cleide Riva Campelo

2ª feira de Carnaval, 2012


 

Art is a Virus or a Jaguar – Manifesto Pau Brasil Part II

Tutu-Marambá: Pesquisas das Artes do Corpo, LowLives: Occupy! March 3rd/2012

Manifesto Pau Brasil Part II

 

We are the poetic dust of shattered native Indian nations, of bulldozened African nations, of outcasted European and Asian nations. We are born a misture out of this dust.

We do call for miscegenation. We want to be who we are, from what Oswald de Andrade called “the millionaire contribution from all mistakes”, rooted within a new-ancient order “corresponding to the physical miracle in art”, or “cuisine, mining and dancing”. In other words, we want to exercise our fertilizing miscegenation in our social, physical and cultural environments. And in all of our interrelations.

We want to have full access to the information which comes through the satellite technology and to the happiness that comes from being able to walk barefoot. We do not want either barefoot technology or happiness being offered to us only from  satellites.

We want to take the role of being the guardians of our memory, that is, of all texts of culture ever created by artists in all times and places. This is an inalienable asset, a right to all men. Let bureaucrats take care of power. Let artists take care of art. Each one carrying on his own flight responsibilities.

Art is a virus. As in everything which is alive, excessive pasteurization homogenizes the environment in a dangerous way. Without diversity,  life can find no paths to flow. Sterile life.

Art is a jaguar. The word jaguar, from tupi etymology, present in all Oxfords in the world, testifies that the jaguar has the power to contaminate. And to surprise. Don´t try to catch a jaguar with your nails. Bring your spear and let´s dance together. The esthetic cannibalism asks for us to be able to dance with those who we wish to devour. To art, devouring and frightening are both expected actions. Art wants to be a lullaly, a song that rocks and rolls. A Tutu-Marambá, an Afro-Indian deity from South America. From Salt America.

Less bureaucracy, less institutionalization on unnecessary fields.  May our public spaces become more fertilized and more contaminating. The air we breathe must be one of freedom. Might we have no one approaching to domesticate us in order to pay for our art or to pay our bills. We want partnership, not sponsorship. The anarchist ideals of collectivity must be reintroduced into our boundaries.

We salute the sun of Maiakóvski, wherever might it be shining at this moment!

Cleide Riva Campelo

Monday of Carnaval, 2012