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Jauára Ichê. Oficina n.5: Ceiussu, A Velha Gulosa. Conversa de Índio, com o pesquisador, escritor, médico e terapeuta corporal, Dr. José Carlos de Campos Sobrinho.

Jauára Ichê. Nós e Entremeios da Cultura Antropofágica
Oficina Grande Otelo/Cleide Riva Campelo, 19/2/2014
Oficina n.5: Ceiussu, A Velha Gulosa. Conversa de Índio, com o pesquisador, escritor, médico e terapeuta corporal, Dr. José Carlos de Campos Sobrinho.

No começo foi a roda de chegada: em pé, só nos olhando e, então, as boas-vindas a todos; inclusive aos muitos visitantes que tivemos hoje. Apresentações feitas, sentamos todos.
O grande círculo já transcriava o lindo universo indígena brasileiro: a irmandade, a generosidade, o ombro-a-ombro com quem compartilhamos a vida.
Então, nosso pajé-Zeca começa sua fala. Prepara nossos corpos para que, afinados, possamos ter ouvidos para ouvir estrelas, como já disse o poeta.
E Ceiussu, sete-estrelo, uma das plêiades, nossa avó e nossa mãe, desceu sábia e matreira (nós, as mulheres…) para nos contar a história daquele curumi, entre medroso e audacioso, entre querendo e fugindo (assim como são os homens, afinal), que, à la Peer Gynt, à la Macunaíma, inicia sua trilha de herói (como somos todos!) e vive sua vida toda, ali na história condensada. Dizem que é assim mesmo a vida: só uma piscada de Shiva, um nadinha de nada, uma desimportância cósmica.
E, ajudamos, todos índios da mesma tribo, a contar a história de nossa gente:
“E quando Setestrelo Ceiussu chegou,
Depois de ter saído pra caçar,
Depois de ter ido rachar lenha,
Depois de ter queimado o pilão no muquém,
Depois de ter devorado os cestos-caças,
Depois de ter sido ferida no matapi,
Depois de ter ficado sem mel…”

Quando Ceiussu/Cunhamucu trouxe o menino-já velho de volta pra sua rede, todos, aliviados, respiramos o vento fresco que sempre vem da primeira infância a nos iluminar o caminho.
E, entramos com nossos corpos para dentro da história de Ceiussu, a brincar de todos os bichos ali recriados: marimbondos, formigas tucandiras, macacos, surucucus, e os pássaros, acauã e tuiuiú. De todos os bichos, o que mais gostei foi de pinicar os outros feito formiga. Podia ficar brincando a noite toda…
Voltamos para a roda e botamos todas as nossas caças ali no meio, para serem repartidas por todos: como bons índios que somos, gostamos de compartilhar nossa comida, na antropofagia da vida.

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